Castigos podem até ser eficazes para suprimir comportamentos inadequados, mas não curam indisciplina. No verdade, os efeitos são de curta duração e não levam a criança a internalizar os valores éticos da convivência.
A punição como técnica disciplinar tem sido criticada por psicólogos, educadores e outras pessoas preocupadas com o desenvolvimento da personalidade. No entanto, situações punitivas são comuns nas interações sociais de qualquer indivíduo.
No decorrer da vida passamos por um grande número de punições: a censura dos pais, a repressão dos professores, as ameaças de um garoto (a) da vizinhança, as criticas de um amigo, etc..
A punição inclui o uso de castigos físicos, a retirada de privilégios ou objetos materiais, ameaças, frustrações, humilhações, etc.. Um tipo de ameaças que os pais costumam usar é retirar o seu amor quando, direta ou indiretamente, deixam transparecer o seu desgosto pelo fato da criança ter feito algo indesejável. Então a ignoram, dão-lhe as costas, recusam-se a ouvi-la... dizem que vão abandoná-la. A criança depende totalmente dos pais e, como não tem experiência e nem perspectiva de tempo para reconhecer que certas atitudes são temporárias, pode acreditar que será mesmo abandonada. Por isso, retirar o amor como técnica disciplinar, quanto ao aspecto emocional, resulta mais prejudicial à criança do que castigos físicos ou perda de privilégios.
Pais incoerentes também geram medo e ansiedade. Aqueles que, quando estão de bom humor, permitem tudo e, quando estão mal humorados, castigam por qualquer motivo. Esse tipo de controle dá a criança um modelo agressivo. Como a punição independe de suas ações, ela aprende que o mais forte e poderoso domina o outro como bem entende.
Outra forma de controle usada pelos pais é a frustração. Frustrar é contradizer gratuitamente, enganar, fazer com que um esforço ou trabalho, seja inútil. Por exemplo: prometendo e não cumprindo, negando à criança o direito de brincar e se divertir quando já realizou todas as suas tarefas, etc..
A criança está inevitavelmente sujeita a frustrações. Algumas, resultantes da intervenção direta dos pais. Outras decorrentes de doenças e desconfortos físicos não diretamente ligados à ação dos pais, mas como os pais intervêm mesmo no segundo caso, ainda que seja para aliviar as tensões, a maior parte das frustrações acaba sendo associada a eles e gerando hostilidade. Quando a criança manifesta essa hostilidade, é punida, em geral com a técnica da retirada do amor. Como consequência, a hostilidade nascida da frustração lhe traz ansiedade e sentimento de culpa. Essa é a dose amarga.
Darbí José Alexandre - autor dos livros: EDUCAR... UM ATO DE AMOR E A ARTE DE ENSINAR E APRENDER.