sexta-feira, 20 de julho de 2012

A APRENDIZAGEM

A aprendizagem


O conceito de aprendizagem é de caráter bem amplo, uma vez que compreende toda mudança de comportamento ou atitude, quer no sentido positivo ou negativo decorrente da convivência do indivíduo com o ambiente físico-social, quer da orientação formal que ele receba de educadores.
O primeiro caso é o da aprendizagem espontânea. Aqui, o indivíduo aprende por conta própria e, na maioria das vezes, de forma aleatória e inconsciente. Exemplo: a criança aprende a ter medo da energia elétrica desde o dia em que leva um choque.
Esta forma de aprendizagem se realiza continuamente de acordo com o princípio de que “viver é aprender”.
O outro caso é o da aprendizagem dirigida. Por meio de aulas, palestras, reuniões, entre outros métodos, os educadores preparam situações especiais de aprendizagem, tendo em vista os objetivos dos programas e as experiências dos alunos.
Toda aprendizagem, espontânea ou planejada, se origina dos sentidos. Portanto, a primeira etapa do processo de aprendizagem é puramente sensorial e se realiza através da visão, da audição, do tato, do olfato ou do paladar.
Para que isso aconteça, é necessário que alguma coisa atue sobre os sentidos, de forma a provocar conexões nervosas e, consequentemente, pensamentos e ações.
Essa coisa seria um estímulo, isto é, uma palavra ou som atuando sobre a audição; um símbolo visual atuando sobre a visão; um odor atuando sobre o olfato; um gosto característico atuando sobre o paladar; ou um certo tipo de textura de material atuando sobre o tato.
Porém, para que a aprendizagem se processe, é necessário que os estímulos sejam não apenas sentidos como também percebidos.
Ao perceber um estímulo novo, o individuo recorre instintivamente à sua memória, isto é, ao acervo de experiências prévias relacionadas com o assunto em questão. É óbvio que a sua capacidade de aprendizagem vai decorrer, em grande parte, da quantidade e da qualidade de experiências prévias que ele possua, ou seja, de sua vivência em relação ao tema.
Assim, desencadeia-se um ciclo associativo por meio do qual o indivíduo analisa aquele estímulo novo em função de suas experiências passadas, estabelecendo comparações e diferenciações entre este novo conceito ou técnica e aquele que ele tinha como certo e verdadeiro.
Como resultante do ciclo associativo, surge então a fase da conceituação. Durante esse processo, a pessoa vai formulando opinião própria e firmando conceitos à luz do estudo analítico, entre estímulos e experiências prévias. Por exemplo: a figura de um avião é um estimulo visual que pode dar margem a uma série de conceitos de acordo com experiências prévias de cada um. Uma criança pensaria em brinquedos, um adulto em aeromodelismo, um turista em excursões, etc.
Não é importante somente o que o professor ensina, mas também o que o aluno sabe e sente a respeito do assunto.
Finalmente, o fruto da aprendizagem é caracterizado pela exteriorização de um pensamento ou pela tomada de uma decisão.
Assim, podemos afirmar que: “não é o professor quem ensina o aluno, mas este é que aprende por si próprio”. Tal como o médico apresenta uma série de medicamentos para a cura dos doentes, o professor apresenta uma série de estímulos para desenvolver os conhecimentos dos alunos. Dessa forma, como cada doente vai reagir, individualmente, à ação do medicamento, cada aluno vai, individualmente, emitir pensamentos e tomar decisões em função dos estímulos que lhe forem apresentados.
O estímulo é o veículo da comunicação, ou seja, o meio da comunicação empregado.
Mediante o uso coordenado da palavra oral e escrita, de fotografias, de desenhos,de modelos, de mapas, de filmes, etc., o educador proporciona uma série de estímulos compatíveis com os objetivos da aprendizagem e com as experiências prévias dos alunos.
É oportuno lembrar que, quanto menor for o cabedal de experiências do aluno, tanto mais objetiva deve ser a natureza do estímulo.
Já é comprovado o valor dos meios de comunicação na aprendizagem. Entre os fatores mais preponderantes, podemos afirmar que facilitam a aprendizagem, uma vez que as pessoas aprendem mais e com maior rapidez. Além disso, as pessoas conseguem reter melhor as informações e com mais facilidade ao compreenderem o como e o porquê das coisas.
Os meios de comunicação proporcionam estímulos, que variam desde a forma mais concreta à mais abstrata de ensino, e podem atuar sobre um ou, simultaneamente, sobre vários órgãos sensoriais.
 Estamos expostos ao impacto da comunicação em massa. Tais estímulos, planejados, segundo princípios de psicologia das massas para provocar sensações e percepções, vão desenvolvendo no aluno um senso crítico com relação à própria atuação do educador. Se este não se inspirar nessas mesmas fontes para tornar o ensino mais ativo e atraente, terá à sua frente um grupo de alunos fisicamente presentes, porém, com a atenção voltada para outros estímulos externos.
Os meios de comunicação permitem contornar as limitações físicas de espaço e de tempo que tanto dificultam a compreensão de fatores históricos, geográficos, sociais, econômicos, políticos e muitos outros em maior ou menor escala, indispensáveis à formação profissional e humanística do homem moderno.
Ao desenvolver o seu cabedal de experiência, o aluno estará, concomitantemente, enriquecendo o seu vocabulário.
Assim, portanto, as formas objetivas de comunicação capacitam e estimulam o aluno a obter conhecimentos por meio de meios abstratos como a palavra escrita e oral.
Os filmes, as dramatizações, as visitas e as excursões, entre outras formas de comunicação, servem de ponto de partida para atividades do grupo como debates, grupos de trabalho e atividades de pesquisa. A utilização do flanelógrafo, do álbum seriado, do retroprojetor e do computador pelo próprio aluno serve para desenvolver a sua capacidade de auto-expressão.
De uma forma ou de outra, o emprego coordenado desses e de outros meios de comunicação levam o aluno a uma participação mais ativa no processo de aprendizagem.
Apesar de ser necessário tempo para a produção e, em alguns casos, verbas para aquisição de materiais audiovisuais, podemos afirmar que esses recursos tornam o ensino mais econômico porque:
·         Aceleram o processo de aprendizagem.
·         Permitem que o professor atinja, mais rapidamente, um maior número de pessoas.
·         O custo per capita, na maioria das vezes, é baixo.
O uso generoso de recursos instrucionais nas salas de aula tende a diminuir o número de fracassos na escola.
Alunos brilhantes parecem se sobressair na compreensão abstrata. No entanto, as mesmas idéias devem ser apresentadas de uma maneira mais objetiva aos alunos mais vagarosos.
Os recursos instrucionais (audiovisuais) são de grande auxílio por tornarem concreta a linguagem abstrata e por abrirem um novo caminho de aproximação no ensino dos alunos, que parecem ser incapazes de aprender rapidamente com imagens abstratas.

 do meu livro: A ARTE DE ENSINAR E APRENDER


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