quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

PUNIÇÃO...

Castigos podem até ser eficazes para suprimir comportamentos inadequados, mas não curam indisciplina. No verdade, os efeitos são de curta duração e não levam a criança a internalizar os valores éticos da convivência.
A punição como técnica disciplinar tem sido criticada por psicólogos, educadores e outras pessoas preocupadas  com o desenvolvimento da personalidade. No entanto, situações punitivas são comuns nas interações sociais de qualquer indivíduo.
No decorrer da vida passamos por um grande número de punições: a censura dos pais, a repressão dos professores, as ameaças de um garoto (a) da vizinhança, as criticas de um amigo, etc..
A punição inclui o uso de castigos físicos, a retirada de privilégios ou objetos materiais, ameaças, frustrações, humilhações, etc.. Um tipo de ameaças que os pais costumam usar é retirar o seu amor quando, direta ou indiretamente, deixam transparecer o seu desgosto pelo fato da criança ter feito algo indesejável. Então a ignoram, dão-lhe as costas, recusam-se a ouvi-la... dizem que vão abandoná-la. A criança depende totalmente dos pais e, como não tem experiência e nem perspectiva de tempo para reconhecer que certas atitudes são temporárias, pode acreditar que será mesmo abandonada. Por isso, retirar o amor como técnica disciplinar, quanto ao aspecto emocional, resulta mais prejudicial à criança do que castigos físicos ou perda de privilégios.
Pais incoerentes também geram medo e ansiedade. Aqueles que, quando estão de bom humor, permitem tudo e, quando estão mal humorados, castigam por qualquer motivo. Esse tipo de controle dá a criança um modelo agressivo. Como a punição independe de suas ações, ela aprende que o mais forte e poderoso domina o outro como bem entende.
Outra forma de controle usada pelos pais é a frustração. Frustrar é contradizer gratuitamente, enganar, fazer com que um esforço ou trabalho, seja inútil. Por exemplo: prometendo e não cumprindo, negando à criança o direito de brincar e se divertir quando já realizou todas as suas tarefas, etc..
A criança está inevitavelmente sujeita a frustrações. Algumas, resultantes da intervenção direta dos pais. Outras decorrentes de doenças e desconfortos físicos não diretamente ligados à ação dos pais, mas como os pais intervêm mesmo no segundo caso, ainda que seja para aliviar as tensões, a maior parte das frustrações acaba sendo associada a eles e gerando hostilidade. Quando a criança manifesta essa hostilidade, é punida, em geral com a técnica da retirada do amor. Como consequência, a hostilidade nascida da frustração lhe traz ansiedade e sentimento de culpa. Essa é a dose amarga.
Darbí José Alexandre - autor dos livros: EDUCAR... UM ATO DE AMOR E A ARTE DE ENSINAR E APRENDER.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A DISCIPLINA... ensina a deter caprichos individuais e é essencial na árdua luta pela conquista do conhcecimento


Disciplina (ou indisciplina) é coisa que diz respeito somente a alunos, costumam pensar os professores. Mas disciplina, ao contrário, envolve tanto estes como aqueles e precisa ser entendida como algo necessário para se atingir um fazer pedagógico coerente e eficaz.
A disciplina está intimamente ligada ao processo de transmissão e, sobretudo, assimilação dos conhecimentos elaborados historicamente pelo homem. Por isso deixa de ser um problema exclusivamente discente, transformando-se numa preocupação constante de toda comunidade escolar.
A efetivação de qualquer plano escolar passa necessariamente pelo cumprimento de certas etapas e sistematização, assim como depende de normas de conduta. Isso porque o trabalho pedagógico não é um processo natural, espontâneo e tampouco ocasional. Em outras palavras, sem disciplina, o trabalho escolar não pode alcançar o seu alvo.
O educador deve estar sempre atento, para não se pegar implantando artificialmente a disciplina em nome exclusivo da autoridade.
 A escola deve exigir o máximo possível do aluno e ao mesmo tempo, tratá-lo com a máxima distinção e respeito. Respeito é a palavra chave na condução de qualquer processo educacional que se pretenda eficiente. As exigências do professor, entretanto, devem estar sempre ligadas às pretensões e à capacidade do corpo discente.
A disciplina deve ser acompanhada da sua compreensão, da sua necessidade e da sua utilidade dentro do complexo contexto social. Disciplina por disciplina não convence mais ninguém. Não se esqueça,: só se alcança a disciplina através do trabalho consequente do coletivo da Escola. De uma Escola onde o aluno se sinta feliz e co-responsável pelo êxito escolar. De uma Escola onde cada aluno deve, sobretudo estar convencido de que a disciplina pode ser uma das formas de se atingir o fim visado pela coletividade.
Disciplina tem essa nítida relação com a sociedade toda. Significa a capacidade de comandar a si mesmo, de se impor aos caprichos individuais... Disciplina significa, enfim, uma regra de vida.
Disciplina não é o oposto da liberdade e tampouco algo que possa ser fixado de fora. É, pois a própria comunidade quem deve elaborar essas regras de convivência e seus limites.
A indisciplina surge justamente quando as regras não nascem de um esforço comum, quando não se sabe aonde se quer chegar, quando não há união de esforços e comprometimento mútuo para a construção de uma sociedade melhor e mais justa.
Darbí José Alexandre - autor dos livros: EDUCAR... UM ATO DE AMOR e A ARTE DE ENSINAR E APRENDER

terça-feira, 27 de novembro de 2012

ATÉ COM OS GANSOS PODEMOS APRENDER

LIÇÕES DOS GANSOS

1ª - Quando um ganso bate as asas, cria um vácuo para o pássaro seguinte. Voando em uma formação em "V", o bando inteiro tem o seu desempenho 71% melhor do que se a ave voasse sozinha.
        LIÇÃO: Pessoas que compartilham uma direção comum e senso de comunidade, podem atingir seus objetivos mais rápida e facilmente se trabalharem em conjunto.

2ª - Sempre que um ganso sai da formação, sente, subitamente, a resistência do ar por tentar voar sozinho e, rapidamente, volta para a formação do grupo aproveitando a "aspiração" da ave imediatamente à sua frente.
        LIÇÃO: Se tivermos tanta sensibilidade quanto um ganso, permaneceremos em formação com aqueles que se dirigem para onde pretendemos ir e nos disporemos a aceitar a sua ajuda, assim como prestar a nossa ajuda aos outros.

3ª - Quando um ganso líder se cansa, muda para trás na formação e, imediatamente, um outro ganso, mais descansado, assume o seu lugar, voando para a posição de ponta.
      LIÇÃO: É preciso acontecer um revezamento das tarefas mais pesadas e dividir a liderança. As pessoas, assim como os gansos, são dependentes umas das outras.

4ª - Os gansos de trás, na formação, grasnan para incentivar e encorajar os da frente e assim, aumentar a velocidade.
      LIÇÃO: Precisamos nos assegurar que o nosso "grasno" (incentivo) seja encorajador para que a nossa equipe (família) aumente o seu desempenho.

5ª - Quando um ganso fica doente ou é ferido, dois gansos saem da formação e seguem-no para ajudá-lo e protegê-lo. Ficam com ele até que ele esteja apto a voar de novo ou morra. Só assim, eles voltam ao procedimento normal, com outra formação ou vão atrás de outro bando.
       LIÇÃO: Se nós tivermos bom senso tanto quanto os gansos, também estaremos ao lado dos outros nos momentos difíceis.

trecho do meu livro: EDUCAR... UM ATO DE AMOR
            

QUXM XU

Apxsar dx minha máquina dx xscrxvxr sxr dx um modxlo muito antigo funciona bxm, com xxcxssão dx uma txcla. Há quarxnta x uma txclas qux funcionam bxm, mxnos uma x isso faz uma grandx difxrxnça.
Às vxzxs mx parxcx qux a nossa turma ´x como a minha máquina dx xscrxvxr ondx todos os sxus mxmbros não xstão trabalhando como dxviam.
Vocx dirá: "Afinal sou apxnas uma pxssoa x sxm dúvida não farxi nxnhuma difxrxnça para nossa turma".
Xntrxtanto, uma organização para progrxdir xficixntxmxntx prxcisa da participação ativa dx todos os sxus mxmbros.
Na próxima vxz qux vocx pxnsar qux não prxcisam dx vocx, lxmbrx-sx dx minha vxlha máquina dx xscrxvxr x diga a si mxsmo: " Xu sou uma das txclas importantxs do programa x os mxus sxrviços são muito nxcxssários".
Dxspxrtx para a vida. Mxditx xm suas rxsponsabilidadxs pxrantx a humanidadx x pxrantx Dxus. Dx vocx dxpxndxm criaturas qux o cxrcam: na família no trabalho x na socixdadx.
Não fuja às rxsponsabilidadxs qux vocx assumiu: rxalizx o sxu trabalho com amor produzindo o mxlhor qux pudxr x o máximo dx suas forças pxrmitirxm. Xm suas mãos xstá uma partx do futuro da humanidadx. 

                                   trxcho do mxu livro: Xducar... Um ato dx Amor





quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O ESTUDO DIRIGIDO


Num conceito genérico, podemos dizer que o Estudo Dirigido é uma técnica utilizada para levar o aluno a estudar um assunto fazendo uso de material informativo (subsídios) preparado, previamente, pelo professor.
Para o bom desenvolvimento desta técnica são necessários: o silêncio no ambiente e a presença orientadora do professor.
Ensinar com a técnica do Estudo Dirigido pode apresentar as seguintes vantagens:
-         Desenvolve o espírito de iniciativa do aluno,
-         Respeita a individualidade, favorecendo o trabalho dos alunos mais lentos que passarão a estudar no seu ritmo,
-         Desenvolve no aluno a técnica e o hábito de estudar conscientemente,
-         Como substitui a explicação do professor pelo estudo individual, desperta o interesse e leva o aluno a aprender e assumir responsabilidades,
-         Com a criação de ambiente favorável à concentração mental, leva o aluno a exercitar-se no trato com pessoas durante a parte do estudo em grupo,
-         Desenvolve o espírito de equipe e cooperação,
-         Dá oportunidades a debates e intercâmbio de idéias fazendo com que todos tirem proveito.
O Estudo dirigido é uma técnica muito interessante porque possibilita ao aluno, através da leitura silenciosa do material preparado pelo professor, adquirir conhecimentos novos; conhecer, examinar e relacionar fatos para a elaboração do roteiro do trabalho a ser executado.
Além disto, o estudo dirigido pode levar o aluno ao hábito da leitura reflexiva e da análise critica desenvolvendo nele a capacidade de julgamento muito importante para a sua vida pessoal e profissional.
Durante o desenvolvimento de uma aula usando a técnica do estudo dirigido, o professor deve seguir as seguintes etapas:
1°- Fazer a introdução normal da aula,
2°- Apresentar a técnica explicando o seu funcionamento aos alunos:
-         Fazer a leitura silenciosa do material de informação,
-         Responder o questionário preparado pelo professor,
-         Elaborar o roteiro do trabalho ou o resumo do assunto estudado.
Observação: No Estudo dirigido, o conhecimento da técnica de leitura é de fundamental importância.
Para evitar insucessos na técnica do Estudo Dirigido, o professor deve tomar muito cuidado com os alunos que não lêem bem ou têm dificuldades na interpretação de textos. Por outro lado, o material informativo deve ser, também, de boa qualidade.
Durante a leitura silenciosa, o professor deve orientar os alunos para que tenham o seguinte procedimento:
-         Ler pausadamente, em silêncio, com atenção e reflexão,
-         Tomar nota, resumidamente,
-         Repassar, mentalmente, trechos do assunto tentando reter, racionalmente, o que leram,
-         Grifar e anotar dúvidas,
-         Consultar: livros, dicionário, colegas ou o professor para dissipar as dúvidas surgidas.
3°- Distribuir o material
4°- Observar o trabalho do grupo, orientando e esclarecendo dúvidas.
     5°- Incentivar o debate em grupo que é uma das grandes vantagens do Estudo dirigido
     6°- Na fase do questionário, os alunos deverão responder às perguntas que foram, previamente, preparadas pelo professor e que possibilitam a autoavaliação e a comprovação do aprendido através da leitura silenciosa e do debate em grupo.
     7°- E, por último, o aluno ou o grupo deverá elaborar o trabalho, propriamente dito que, para as aulas teóricas, será um resumo do assunto por esta técnica de ensino.


 do meu livro: A ARTE DE ENSINAR E APRENDER

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O PROFESSOR E SUAS QUALIDADES

              De nada vale a Escola possuir uma grande variedade de recursos instrucionais se o professor não estiver consciente de sua missão como educador. Educar é, sem dúvida alguma, um ato de amor.
Assim, o sucesso da carreira do professor depende, em grande parte, do seu bom relacionamento com os alunos.
Saber prevenir problemas e resolvê-los satisfatoriamente, quando surgirem, deve ser uma qualidade imprescindível do bom professor.
Os alunos sempre têm problemas. O bom professor deve compreendê-los e, na medida do possível, deve procurar ajudar a resolvê-los.
Não podemos nos esquecer de que as pessoas são diferentes e, portanto, devem ser tratadas de maneira individual e imparcialmente.
Sabemos que nesta época atual, os professores necessitam ministrar muitas aulas para ter um salário necessário para a sua e a sobrevivência de sua família. Isto muitas vezes impede o professor de tratar os seus alunos de forma individual. Caro colega, aqui vai um conselho: prefira muito mais preparar os seus alunos para a vida do que transformá-los em gênios. Os gênios formam-se sozinhos.
O bom professor procura sempre respeitar a dignidade de seus alunos. Nunca devemos chamá-los por apelidos ou tratá-los de forma pejorativa. Cada um é um ser especial e se for tratado com dignidade crescerá respeitando os seus semelhantes. A sociedade ganhará muito com isso.
O bom professor não deve fugir às perguntas e nem respondê-las com evasivas. O professor que sabe ouvir os seus alunos inspira mais confiança e transmite mais amizade.
Diz o velho ditado que a primeira impressão é a que mais dura. Assim, o nosso primeiro contato com os alunos deve ser sempre preparado com muito cuidado. No inicio de cada aula procure deixar a classe à vontade. Os alunos devem ficar descontraídos e desinibidos. Isso não pode ser confundido com indisciplina.
O professor deve preparar os seus alunos para saber ouvi-lo. Ouvir é diferente de escutar (ver no livro Educar... Um ato de amor).
Como seres humanos, os professores também têm os seus problemas e aborrecimentos particulares. Jamais eles deverão ser levados para a sala de aula. Comparo esta atitude com a do palhaço que perdeu a sua mãe e teve que apresentar o seu espetáculo sem derramar uma lágrima. Os alunos nada poderão fazer para resolver os problemas do seu professor e o seu péssimo estado de espírito pode influenciar, negativamente neles.
Professor feche a porta de sua sala de aula e deixe os seus problemas particulares do lado de fora.
Quantas vezes presenciamos colegas chamando a atenção de alunos, em público, colocando-os em situações ridículas. Seja qual for o seu propósito, essa é uma maneira absolutamente negativa de chamar a atenção deles. Observações descorteses nem corrigem, nem estimulam pelo contrário, inibem e revoltam. Quem gosta de ser chamado à atenção em público?
Quando for chamar a atenção do seu aluno procure fazê-lo de forma particular, em voz baixa explicando-lhe, detalhadamente, porque ele não deve agir daquela maneira.
Controle o seu temperamento. O autodomínio, embora difícil para muitos, deve ser cultivado por todos. O professor nunca deve “explodir”. Além de mau exemplo coloca a sua autoridade em jogo.
Pelo excesso de trabalho e, muitas vezes por problemas particulares, existem professores que não se preocupam com os alunos menos adiantados e o pior é que, perdem a paciência com eles.
Nós não podemos nos esquecer de que são eles que precisam mais do nosso trabalho da nossa compreensão e paciência. Tenho dito em minhas palestras que os bons alunos “caminham” sozinhos com suas próprias “pernas”. 
O bom professor deve tratar sempre os seus alunos com compreensão e respeito. Deve saber exigir respeito sem se colocar num pedestal. Deve manter o seu lugar com suficiente reserva e saber ir até aos alunos para a solução de problemas. Quem respeita é sempre respeitado.
Educar com amor traz dividendos ao bom professor. Entretanto ele deve abster-se de tratar os seus alunos com muita familiaridade. A intimidade excessiva pode conduzir o professor à proteção inconsciente de alguns em detrimento da maioria.
Como disse, as repreensões devem ser feitas em particular, mas os elogios devem ser feitos, sem exageros, em público. Procure motivo, para poder elogiar a todos. O aluno satisfeito aplica-se muito mais. O resultado é bem melhor para todos, quando sabemos que estamos bem na atividade que estamos desenvolvendo. Diga sempre aos seus alunos como está o aproveitamento deles nas suas aulas. A opinião segura do professor pode recolocar o seu aluno no caminho certo ou mantê-lo nele.
Nós também precisamos saber como o nosso trabalho está sendo recebido pelos nossos alunos. Assim sendo, de uma forma indireta podemos colher sugestões e até criticas e com isto, avaliar as aulas com realismo e fidelidade.
Sempre, quando recebia uma nova turma para ministrar aulas procurava, com eles, preencher a ficha contendo: nome, foto, filiação, endereço, profissão dos pais, problemas de saúde, dificuldades, relacionamento com colegas e outras informações que eles consideravam importantes e que pudessem transmitir. Dessa forma eu podia julgar melhor o aluno pela tarefa apresentada e pelas atitudes e comportamentos nas aulas.
Quantas vezes já fomos ou somos mal avaliados por conclusões apressadas. Quantas vezes avaliamos os nossos alunos simplesmente pelo resultado de uma prova e cometemos injustiças.
Lembro-me de uma fase de minha vida, quando com quatorze anos perdi meu pai por uma morte súbita e passei a trabalhar na parte industrial da panificadora da família. Levantava-me bem cedo chamado pela minha querida mãe Conchita Raimundo e trabalhava até às sete horas da manhã. Após o banho ia para a escola e não foram poucas às vezes que os meus professores chamaram a minha atenção por estar dormindo, com o rosto colado na carteira. E eles diziam:
 - Darbí, você acabou de levantar, mas continua dormindo em minha aula? Nunca me perguntaram o por quê? Com a ficha individual, problemas como esse que passei podem ser resolvidos com uma boa conversa com os nossos alunos. Lembro-me da história, Educação... Podemos fazer a diferença.
A professora Tereza conta que no primeiro dia de aula parou em frente aos seus alunos da 5ª série primária e, como todos os demais professores, lhes disse que gostava de todos por igual.
No entanto, ela sabia que isto era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado o garoto chamado Ricardo que não se relacionava bem com os colegas e muitas vezes as suas roupas apresentavam-se sujas e cheiravam mal. Houve até momentos em que ela sentia certo prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir as provas e trabalhos.
Ao iniciar o ano letivo era solicitado, a cada professor que lesse, com atenção, a ficha escolar dos alunos para tomar conhecimento das anotações.
Ela deixou a ficha de Ricardo por último, mas quando leu foi grande a sua surpresa...
Ficha do primeiro ano:
“Ricardo é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos estão sempre em ordem e muito nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele”.
Ficha do segundo ano:
“Ricardo é um aluno excelente e muito querido por seus colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está com uma grave doença e desenganada pelos médicos. A vida em seu lar deve estar muito difícil”.
Ficha do terceiro ano:
“A morte de sua mãe foi um duro golpe para Ricardo”. “Ele procura fazer o melhor, mas o seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo”.
Ficha do quarto ano:
“Ricardo anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos”. “Tem poucos amigos e, muitas vezes dorme na sala de aula”.
Tereza se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada. E ficou pior quando se lembrou dos lindos presentes de aniversário que recebera dos alunos com papéis coloridos, exceto o de Ricardo que estava embrulhado num papel se supermercado.
Lembrou que abriu o pacote, com desdém, enquanto os outros garotos riam ao ver que era uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Apesar das piadas ela disse que o presente era precioso.  Pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão.
Lembrou que naquela ocasião, Ricardo ficou um pouco mais de tempo na sala do que o de costume e do que lhe disse:
_ “A senhora está cheirosa como a minha mãe”.
E, nesse dia, depois que todos se foram, a professora chorou por longo tempo. Em seguida decidiu mudar a sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção a seus alunos, especialmente Ricardo.
Com o passar do tempo ela percebeu que o garoto só melhorava. E, quanto mais lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava.
Ao finalizar o ano letivo, Ricardo saiu como o melhor aluno da classe.
Seis anos depois recebeu uma carta de Ricardo contando que havia concluído o ensino médio (segundo grau) e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera.
As noticias de Ricardo continuaram chegando pelos anos seguintes até que um dia recebeu uma carta assinada pelo Dr. Ricardo Stoddard, seu antigo aluno, mais conhecido como Ricardo.
Mas a história não terminou aqui...
Tempos depois, recebeu o convite de casamento e a notificação do falecimento do pai de Ricardo.
Ela aceitou o convite e, no dia do casamento estava usando a pulseira e o perfume que ganhara, anos antes, de Ricardo.
Quando os dois se encontraram abraçaram-se por longo tempo e Ricardo lhe disse ao ouvido:
_ “Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença”.
E, com os olhos banhados em lágrimas sussurrou:
_ “Engano seu! Depois que o conheci aprendi a lecionar e a ouvir os apelos silenciosos que ecoam da alma de cada aluno”. “Mais do que avaliar provas e dar notas, o importante é ensinar com amor mostrando que é sempre possível fazer a diferença”.
Afinal, o que realmente faz a diferença?
É o fazer acontecer, a solidariedade, a compreensão, a ajuda mútua e o amor entre as pessoas... O resto vem por acréscimo.
É este o segredo do evangelho: Tudo depende da pedagogia do amor.
“Ensina a criança o caminho que deve andar e, ainda, quando for velho, não se desviará dele”.

Trecho do meu livro A ARTE DE ENSINAR E APRENDER
                        Editora Mundo Mirim






segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A AULA EXPOSITIVA


Falar é, provavelmente, a maneira de ensinar mais frequente usada nas escolas. A aula expositiva consiste na apresentação oral, pelo professor, de um tema ou assunto, logicamente estruturado ao aluno.
Nesta técnica de ensino o professor deve assumir uma posição de diálogo para estabelecer uma relação de troca de conhecimentos e experiências e possibilitar a avaliação se aquilo que está falando está sendo captado, fielmente, por todos.
A aula expositiva só é eficiente quando todos podem participar ativamente dela.
Devemos levar a turma a participar, de alguma forma, da aula expositiva orientando para:
-         Fazer anotações dos pontos principais para depois desenvolverem o tema, individualmente ou em grupo,
-         Prestar atenção nas revisões sistemáticas de cada item do assunto que o professor faz através da técnica de perguntas,
Para melhorar a participação do grupo, o professor deve combinar a exposição oral com outras técnicas de ensino. A utilização dos recursos audiovisuais na maneira correta e no momento preciso, ajuda no bom resultado da apresentação do assunto.
A exposição oral é uma técnica de ensino muito utilizada porque economiza tempo e ajuda na compreensão de assuntos considerados complexos.
Antes de iniciar uma aula expositiva, o professor prepara o tema ou assunto a ser apresentado levando em conta que deve ser acessível e dosado convenientemente ao grupo.
Conhecendo bem os alunos, teremos mais facilidade em compreendê-los e descobrir maneiras de fazê-los entender o assunto. Devemos estar a par dos conhecimentos que eles já possuem e que os ajudarão a assimilar a nova matéria.
Grupos numerosos apresentam baixo rendimento na aula expositiva.     
É muito difícil manter a atenção e o interesse de todo o grupo por muito tempo. A duração da aula não deve ultrapassar sessenta minutos. Quando isso ocorrer por problemas de horário escolar, torna-se interessante o professor fazer uma pequena parada para relaxar.
Observação: Esta técnica de ensino apresenta as seguintes limitações:

-         O professor é o único “ator”, logo o trabalho mental é muito grande,
-         Admite pouca assimilação,
-         Estimula, em geral, somente os sentidos da audição e visão,
-         Cansa os alunos,
-         Depende do interesse e da atenção dos alunos,
-         Mantém os alunos passivos.

Apresentamos, a seguir, algumas orientações que poderão ser seguidas quando a aula expositiva tiver que ser usada:
-         Faça o plano de aula e use-o,
-         Desenvolva a aula nas quatro etapas: introdução, apresentação, aplicação e verificação.
-         As informações transmitidas devem ser dadas numa seqüência lógica para a compreensão do aluno, de forma a lhe permitir a estruturação constante das informações em relação ao todo.
-         Programe estudos e trabalhos complementares,
-         Certifique-se de que todos os alunos estão atentos e compreendendo o assunto exposto.
-         Fique visível para toda a turma e se movimente bastante durante a aula


Técnica das perguntas



Para o completo êxito da explanação, o professor deve dominar a técnica de fazer perguntas. Muito importante também é saber, como e quando, estimular os alunos a fazer perguntas.
As perguntas, dependendo da maneira como são feitas, se prestam a vários propósitos. Vejamos, sob o meu ponto de vista, os mais importantes:
-         Para despertar o interesse ou dirigir a atenção do aluno,
-         Para comprovar se o aluno está entendendo o assunto,
-         Levar o aluno a concluir sobre um assunto através de perguntas encadeadas,
-         Para corrigir a direção de um debate,
-         Para fazer falar o tímido quando este conhece o assunto,
-         Para manter a disciplina do grupo,
-         Para estimular os que têm dúvida a se esclarecerem,
-         Para movimentar um debate, rebatendo perguntas e,
-         Levar o grupo a sínteses objetivas.

Dependendo do resultado esperado ou do objetivo em questão, o professor pode utilizar-se de vários tipos de perguntas. Por exemplo:
-         Perguntas diretas – para animar o aluno a expressar-se, despertar-lhe a atenção ou averiguar o seu entendimento,
-         Perguntas feitas ao grupo, cuja resposta pode vir de qualquer um é um tipo que deve ser usado com cuidado na verificação do conhecimento.
-         Perguntas feitas ao grupo, com indicação posterior daquele que deve respondê-la servem para motivar o grupo, mantê-lo atento e interessado.
-         Perguntas rebatidas - quando a pergunta vem do grupo de maneira capciosa e o professor responde com outra. Que você faria neste caso?
-         Perguntas redistribuídas – como no caso anterior, apenas dirigindo a pergunta recebida para outro aluno. Este tipo de pergunta dá ao professor tempo para refletir quando surpreendido.
-         Perguntas retóricas – são perguntas-respostas e não requerem contestação. Servem para estabelecer um tema ou um início de debate.

Qualidade das perguntas

Uma boa pergunta leva o aluno a raciocinar e elimina a possibilidade das respostas sim ou não. Ela deve ser fácil de ser entendida e quando o assunto é complexo ou longo deve ser feita uma sucessão de perguntas.
A boa pergunta deve ter um fim específico e estar sempre ligada ao assunto em estudo. Devem ser evitadas as perguntas que levam o aluno a responder automaticamente ou por imitação.
Devemos explorar as perguntas não interrogativas e sim as introdutórias, pois elas permitem uma maior liberdade de expressão do aluno.
As perguntas de assuntos distintos, mesmo dentro do tema geral, devem ser evitadas – elas confundem o grupo.
Deve-se fazer amplo uso de perguntas utilizando: Que? Como? Quando? Quem? Onde? Por que?
         O professor, ao fazer a pergunta ao grupo deve tomar alguns cuidados:
-         Deve dar tempo para o aluno pensar a resposta e depois chamá-lo pelo nome,
-         Fazer perguntas a todos, mas de maneira salteada,
-         Fazer perguntas em voz normal, porém bem clara,
-         Não deve repetir a pergunta ao desatento. Deve pedir a outro aluno para responder ou repetir a pergunta para que o desatento responda,
-         O professor não deve ser intransigente com palavras mal colocadas pelos alunos durante as respostas. Explore o sentido que o aluno tenta transmitir. Busque a palavra certa de outra forma ou com outras perguntas a outros alunos.
-         Jamais insistir, demasiadamente com um aluno. Uma bateria de perguntas turva o raciocínio e inibe o aluno que, no momento está, negativamente, em destaque,
-         Não deve permitir resposta em coro e nem “sopradas”,
-         Estimular e felicitar os alunos quando estão participando, mesmo com respostas não muito corretas, traz maior participação do grupo,
-         Jamais deve deixar de fazer perguntas. Elas representam a chave do sucesso de todo método de ensino.


A arte de interrogar


Após tomar conhecimento dos propósitos e das qualidades das perguntas o professor deve também conhecer a arte de interrogar.
É muito difícil para o aluno estar sendo avaliado publicamente. Dessa maneira, aconselho o professor a formular as perguntas de modo natural e com tato.
As perguntas devem ser formuladas sempre adequadas aos conhecimentos do grupo e às quais os participantes são capazes de responder. Nada mais satisfatório para o aluno do que ter a capacidade de responder, corretamente, aquilo que lhe foi perguntado.
O professor deve preocupar-se sempre com a maneira como ele expressa a questão para ter certeza que o sentido fique absolutamente claro.
A pergunta como pergunta não leva a lugar nenhum. Portanto, o professor consciente deve fazer perguntas que levem os alunos à reflexão.



E lembre-se: os alunos vão à escola para aprender. Facilite-lhes o aprendizado e eles lhes serão gratos para sempre.



 Trecho do meu livro: A ARTE DE ENSINAR E APRENDER
                    EDITORA MUNDOMIRIM