De nada vale a Escola possuir uma grande variedade de recursos instrucionais se o professor não estiver consciente de sua missão como educador. Educar é, sem dúvida alguma, um ato de amor.
Assim, o sucesso da carreira do professor depende, em grande parte, do seu bom relacionamento com os alunos.
Saber prevenir problemas e resolvê-los satisfatoriamente, quando surgirem, deve ser uma qualidade imprescindível do bom professor.
Os alunos sempre têm problemas. O bom professor deve compreendê-los e, na medida do possível, deve procurar ajudar a resolvê-los.
Não podemos nos esquecer de que as pessoas são diferentes e, portanto, devem ser tratadas de maneira individual e imparcialmente.
Sabemos que nesta época atual, os professores necessitam ministrar muitas aulas para ter um salário necessário para a sua e a sobrevivência de sua família. Isto muitas vezes impede o professor de tratar os seus alunos de forma individual. Caro colega, aqui vai um conselho: prefira muito mais preparar os seus alunos para a vida do que transformá-los em gênios. Os gênios formam-se sozinhos.
O bom professor procura sempre respeitar a dignidade de seus alunos. Nunca devemos chamá-los por apelidos ou tratá-los de forma pejorativa. Cada um é um ser especial e se for tratado com dignidade crescerá respeitando os seus semelhantes. A sociedade ganhará muito com isso.
O bom professor não deve fugir às perguntas e nem respondê-las com evasivas. O professor que sabe ouvir os seus alunos inspira mais confiança e transmite mais amizade.
Diz o velho ditado que a primeira impressão é a que mais dura. Assim, o nosso primeiro contato com os alunos deve ser sempre preparado com muito cuidado. No inicio de cada aula procure deixar a classe à vontade. Os alunos devem ficar descontraídos e desinibidos. Isso não pode ser confundido com indisciplina.
O professor deve preparar os seus alunos para saber ouvi-lo. Ouvir é diferente de escutar (ver no livro Educar... Um ato de amor).
Como seres humanos, os professores também têm os seus problemas e aborrecimentos particulares. Jamais eles deverão ser levados para a sala de aula. Comparo esta atitude com a do palhaço que perdeu a sua mãe e teve que apresentar o seu espetáculo sem derramar uma lágrima. Os alunos nada poderão fazer para resolver os problemas do seu professor e o seu péssimo estado de espírito pode influenciar, negativamente neles.
Professor feche a porta de sua sala de aula e deixe os seus problemas particulares do lado de fora.
Quantas vezes presenciamos colegas chamando a atenção de alunos, em público, colocando-os em situações ridículas. Seja qual for o seu propósito, essa é uma maneira absolutamente negativa de chamar a atenção deles. Observações descorteses nem corrigem, nem estimulam pelo contrário, inibem e revoltam. Quem gosta de ser chamado à atenção em público?
Quando for chamar a atenção do seu aluno procure fazê-lo de forma particular, em voz baixa explicando-lhe, detalhadamente, porque ele não deve agir daquela maneira.
Controle o seu temperamento. O autodomínio, embora difícil para muitos, deve ser cultivado por todos. O professor nunca deve “explodir”. Além de mau exemplo coloca a sua autoridade em jogo.
Pelo excesso de trabalho e, muitas vezes por problemas particulares, existem professores que não se preocupam com os alunos menos adiantados e o pior é que, perdem a paciência com eles.
Nós não podemos nos esquecer de que são eles que precisam mais do nosso trabalho da nossa compreensão e paciência. Tenho dito em minhas palestras que os bons alunos “caminham” sozinhos com suas próprias “pernas”.
O bom professor deve tratar sempre os seus alunos com compreensão e respeito. Deve saber exigir respeito sem se colocar num pedestal. Deve manter o seu lugar com suficiente reserva e saber ir até aos alunos para a solução de problemas. Quem respeita é sempre respeitado.
Educar com amor traz dividendos ao bom professor. Entretanto ele deve abster-se de tratar os seus alunos com muita familiaridade. A intimidade excessiva pode conduzir o professor à proteção inconsciente de alguns em detrimento da maioria.
Como disse, as repreensões devem ser feitas em particular, mas os elogios devem ser feitos, sem exageros, em público. Procure motivo, para poder elogiar a todos. O aluno satisfeito aplica-se muito mais. O resultado é bem melhor para todos, quando sabemos que estamos bem na atividade que estamos desenvolvendo. Diga sempre aos seus alunos como está o aproveitamento deles nas suas aulas. A opinião segura do professor pode recolocar o seu aluno no caminho certo ou mantê-lo nele.
Nós também precisamos saber como o nosso trabalho está sendo recebido pelos nossos alunos. Assim sendo, de uma forma indireta podemos colher sugestões e até criticas e com isto, avaliar as aulas com realismo e fidelidade.
Sempre, quando recebia uma nova turma para ministrar aulas procurava, com eles, preencher a ficha contendo: nome, foto, filiação, endereço, profissão dos pais, problemas de saúde, dificuldades, relacionamento com colegas e outras informações que eles consideravam importantes e que pudessem transmitir. Dessa forma eu podia julgar melhor o aluno pela tarefa apresentada e pelas atitudes e comportamentos nas aulas.
Quantas vezes já fomos ou somos mal avaliados por conclusões apressadas. Quantas vezes avaliamos os nossos alunos simplesmente pelo resultado de uma prova e cometemos injustiças.
Lembro-me de uma fase de minha vida, quando com quatorze anos perdi meu pai por uma morte súbita e passei a trabalhar na parte industrial da panificadora da família. Levantava-me bem cedo chamado pela minha querida mãe Conchita Raimundo e trabalhava até às sete horas da manhã. Após o banho ia para a escola e não foram poucas às vezes que os meus professores chamaram a minha atenção por estar dormindo, com o rosto colado na carteira. E eles diziam:
- Darbí, você acabou de levantar, mas continua dormindo em minha aula? Nunca me perguntaram o por quê? Com a ficha individual, problemas como esse que passei podem ser resolvidos com uma boa conversa com os nossos alunos. Lembro-me da história, Educação... Podemos fazer a diferença.
A professora Tereza conta que no primeiro dia de aula parou em frente aos seus alunos da 5ª série primária e, como todos os demais professores, lhes disse que gostava de todos por igual.
No entanto, ela sabia que isto era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado o garoto chamado Ricardo que não se relacionava bem com os colegas e muitas vezes as suas roupas apresentavam-se sujas e cheiravam mal. Houve até momentos em que ela sentia certo prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir as provas e trabalhos.
Ao iniciar o ano letivo era solicitado, a cada professor que lesse, com atenção, a ficha escolar dos alunos para tomar conhecimento das anotações.
Ela deixou a ficha de Ricardo por último, mas quando leu foi grande a sua surpresa...
Ficha do primeiro ano:
“Ricardo é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos estão sempre em ordem e muito nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele”.
Ficha do segundo ano:
“Ricardo é um aluno excelente e muito querido por seus colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está com uma grave doença e desenganada pelos médicos. A vida em seu lar deve estar muito difícil”.
Ficha do terceiro ano:
“A morte de sua mãe foi um duro golpe para Ricardo”. “Ele procura fazer o melhor, mas o seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo”.
Ficha do quarto ano:
“Ricardo anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos”. “Tem poucos amigos e, muitas vezes dorme na sala de aula”.
Tereza se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada. E ficou pior quando se lembrou dos lindos presentes de aniversário que recebera dos alunos com papéis coloridos, exceto o de Ricardo que estava embrulhado num papel se supermercado.
Lembrou que abriu o pacote, com desdém, enquanto os outros garotos riam ao ver que era uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Apesar das piadas ela disse que o presente era precioso. Pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão.
Lembrou que naquela ocasião, Ricardo ficou um pouco mais de tempo na sala do que o de costume e do que lhe disse:
_ “A senhora está cheirosa como a minha mãe”.
E, nesse dia, depois que todos se foram, a professora chorou por longo tempo. Em seguida decidiu mudar a sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção a seus alunos, especialmente Ricardo.
Com o passar do tempo ela percebeu que o garoto só melhorava. E, quanto mais lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava.
Ao finalizar o ano letivo, Ricardo saiu como o melhor aluno da classe.
Seis anos depois recebeu uma carta de Ricardo contando que havia concluído o ensino médio (segundo grau) e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera.
As noticias de Ricardo continuaram chegando pelos anos seguintes até que um dia recebeu uma carta assinada pelo Dr. Ricardo Stoddard, seu antigo aluno, mais conhecido como Ricardo.
Mas a história não terminou aqui...
Tempos depois, recebeu o convite de casamento e a notificação do falecimento do pai de Ricardo.
Ela aceitou o convite e, no dia do casamento estava usando a pulseira e o perfume que ganhara, anos antes, de Ricardo.
Quando os dois se encontraram abraçaram-se por longo tempo e Ricardo lhe disse ao ouvido:
_ “Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença”.
E, com os olhos banhados em lágrimas sussurrou:
_ “Engano seu! Depois que o conheci aprendi a lecionar e a ouvir os apelos silenciosos que ecoam da alma de cada aluno”. “Mais do que avaliar provas e dar notas, o importante é ensinar com amor mostrando que é sempre possível fazer a diferença”.
Afinal, o que realmente faz a diferença?
É o fazer acontecer, a solidariedade, a compreensão, a ajuda mútua e o amor entre as pessoas... O resto vem por acréscimo.
É este o segredo do evangelho: Tudo depende da pedagogia do amor.
“Ensina a criança o caminho que deve andar e, ainda, quando for velho, não se desviará dele”.
Trecho do meu livro A ARTE DE ENSINAR E APRENDER
Editora Mundo Mirim